História

Souselas tem um topónimo pouco frequente em Portugal[1].. Das duas hipóteses justificativas para o seu nome, uma aponta para uma derivação de um antropónimo ou diminutivo medieval de ‘Sousa’ apelativo relacionado com o latim salsa, isto é “terra, água” o que aliás está de acordo com as características da região. Outra hipótese poderá estar intimamente relacionada com a flora, nomeadamente do plural nome científico do salgueiro ‘salicelas’, que se transformou em Souzelas pela vocalização de “Sauz”. Esta última versão tem a favor o facto de muitas aldeias da região de Coimbra possuírem nomes derivados de plantas.

Souselas é atualmente uma vila rústica, cuja povoação remonta à época visigótica, tendo sido habitada também pelos Romanos. Terá sido criada possivelmente há mil e quinhentos anos pelos Visigodos (434 DC), aquando da sua chegada à Península Ibérica (constatado pela descoberta, em 1938, de um Cemitério Visigótico no sítio dos Carrizes na povoação de Souselas).

Por sua vez (fazendo referência à outra antiga desta freguesia deste território e onde atualmente se situa o edifício da União das Freguesias) também a vila do Botão é muito antiga[1]. Acredita-se que o seu topónimo tenha origem francesa – bouton, derivado do indo-europeu *bhodh – significando “broto”, “rebento”, provavelmente em alusão à fertilidade de suas terras, com o sentido de canal ou curso de água. Sabe-se que a sua história remonta a um tempo distante, pelo menos, ao século XIV, quando em 1357 Dom Pedro I de Portugal confirmou o estatuto de concelho a este território, objetivando a fixação de habitantes nas regiões rurais do país. Como o lugar de Botão era uma região promissora, com terras férteis ao cultivo e próxima a Coimbra, antiga capital do reino, a oferta era bastante atraente. 

De acordo com Medeiros (2016)[2] Botão é um território com características marcadamente rurais localizado a aproximadamente 18km do centro de Coimbra. É caracterizado como sendo um lugar calmo, com fáceis acessibilidades de estradas maioritariamente alcatroadas, nomeadamente ao centro da cidade, que possibilitam uma proximidade entre o rural e urbano. Mais para o interior do território é possível encontrar estradas com características rurais marcantes, como a estrada de terra que dá acesso ao Balneário Fluvial do Botão, uma zona turística, muito frequentada pelos/as moradores/as da localidade e dos arredores5.

Foi determinante para o desenvolvimento deste território, a inauguração da estação dos Comboios de Portugal (CP) nos finais do século XIX, assim como os efeitos da Revolução Industrial a partir da década de 1930, tornando Souselas numa localidade bastante industrializada com forte presença de fábricas de cerâmica (já foi o maior polo industrial de Coimbra). O pico deste crescimento foi atingido por volta dos anos 70 com a instalação da maior e da mais moderna fábrica cimenteira da Europa – a Cimpor. Atualmente ainda se vislumbra muita indústria e muita procura por parte de investidores para estabelecer negócios, fruto das boas acessibilidades[3].


[1] Alarcão (2004). Visitação dos lugares arrumados por folhas da Carta Militar de Portugal (folha 218). Trabalhos de Arqueologia 38 – In territorio Colimbrie: lugares velhos (e alguns deles deslembrados) do Mondego.

[2] Veiga, M. et al. (2016). Acessibilidades, mobilidades e sociabilidades: A(s) velhice(s) sob o prisma dos(s) território(s). Ata do IX Congresso Português de Sociologia – Portugal, território de territórios.

Veiga, M. (2020). Territórios de cuidado: Protagonismo e pluralidade na velhice. III Conferências e Debates Interdisciplinares. Impresna da Universidade de Coimbra.

[3] Pinho, J. (2002). Botão: Mil anos de história(s). Junta de Freguesia do Botão, Coimbra.